sábado, 19 de novembro de 2011
Ainda sinto seu cheiro
"Ainda sinto seu cheiro em cada ar que penetra meus pulmões. Apenas não
vou dizer-te mais que ainda te espero. Não, seria bobagem esperar por
alguém que aqui nunca esteve de fato. Se um dia você resolver voltar,
talvez ainda me encontre com a mesma alegria, mas nunca com o mesmo
amor."
Medo
Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que
não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando
que entendo, não sei me entregar à desorientação.
[Clarice Lispector]
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Não se apaixone por mim!
Menino, vou te dizer uma coisa: Não se apaixone por mim. Definitivamente
nem pense nisso! Não sou o tipo de nora que toda sogra sonha e não
quero ter filhos. Não sou tão boazinha quanto aparento e odeio
delicadezas. Então, não se apaixone por mim menino. Eu nunca fui a mais
bonita da turma, não sou tão inteligente, odeio matemática e com certeza
eu não perderia noites de sono pensando em você. Você não pode se apaixonar por mim, não faça
isso para o seu próprio bem. Eu falo alto, brigo por quase nada e sou o capeta em pessoa quando to de TPM. Menino,
eu não seria a namorada dos seus sonhos Não. Definitivamente não se apaixone por mim. Não sei praticar
esportes, não decoro regras, odeio filosofias de quinta, não sei
cozinhar, lavar, engomar, gosto mesmo é da bagunça. Menino, minhas
piadas são sem graça, não sei ser romântica, aliás, tudo isso me dá
náuseas. Eu sou preguiçosa de mais. Menino, eu não
estou brincando, não sou diferente daquelas meninas que te fizeram
sofrer, talvez eu seja até pior! Não se apaixone por mim, você não
precisa se decepcionar para aprender, eu estou avisando.
É bom ficar sabendo..
Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho razão e quando minhas
previsões dão certo olho com a cara mais abominável do mundo, dou um
sorriso irônico e falo o clássico eu-te-avisei. Não sei receber elogios, fico sem
saber o que fazer, me atrapalho e acabo trocando de assunto – quando
não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio para
disfarçar desconfortos. não sou a-toda-boa, a toda alegre o tempo todo, a toda amorosa
constantemente. Eu sou estranha, tenho gestos e pensamentos e encanações
e neuras e filosofias viajantes e temperamento salgado e toda uma série
de e's que não consigo ajustar aqui, agora, pra você, talvez por não
saber ajustá-los nem pra mim. Mas deixa isso tudo pra lá, eu e a minha
estranhice, estranheza, estranhagem, estranhamento, estranhação.
Estranha ação. É isso aí, sou cheia de estranhas ações. Uma delas é
tentar explicar o sentido de uma coisa que nem sentido faz.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar,
de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste
e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem
relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma
pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te
garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo
de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque
amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de
todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e
sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o
bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua
essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi
chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.” [C.F.A]
domingo, 30 de outubro de 2011
Para quem me odeia
Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro.
É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.
Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado.
Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço.
Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Então, ser execrada por você funciona como um desses exames médicos mais
graves, em que "negativo" significa o melhor resultado possível.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito
bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua
própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco.
Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando.
Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor.
E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao
contrário, estou caprichando para realizar coisas que deverão te deixar
ainda mais nervoso comigo.
Prometo não mudar, principalmente nos detalhes que você mais detesta.
Sem esquecer de sempre tentar descobrir novos jeitos de te deixar
irritado.
Prometo jamais te responder à altura quando você for, eventualmente,
grosseiro comigo, ao verbalizar tão imenso ódio. Pois sei que isso te
faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o
sentimento tão puro que você me dedica.
Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida
dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei te
amando. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para
seu sucesso.
Pena que você não esteja me vendo neste momento, inclusive, pois veria o
meu sincero sorrisinho agradecido - e me odiaria ainda mais.
Com amor, da sua eterna.
domingo, 9 de outubro de 2011
(...)
Existe sempre alguma coisa ausente. Acho que a gente tem que vencer. Ou
lutar. E ficar bem. Feliz. Criar. Fazer. Se mexer. Vontade que você
estivesse aqui e eu pudesse te mostrar muitas coisas, grandes, pequenas,
e sem nenhuma importância, algumas. Eu me perguntava até que ponto você
era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em
você. Um café e um amor. Quentes, por favor. Coragem, às vezes, é
desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É
aceitar doer inteiro até florir de novo. Não era possível evitar por
mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos
os outros pensamentos.A verdade é que ainda hesito em dar um nome
àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. Então, que
seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar
entrar o sol. Sinto uma falta absurda de você. Ficou um vazio que
ninguém preenche. E penso e repenso e trepenso em você aí. Tá tudo bem
assim. (Caio Fernando Abreu)
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